sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Chefes, hierarquia e as sombras da Idade Média



Ainda existe hierarquia?


Acredito que a reflexão é bem vinda, pois nos auxilia a repensar o modo como se exerce a hierarquia, procurando de certa forma melhorar a convivência, otimizar e aumentar a produtividade no âmbito empresarial.
Parece que a palavra hierarquia, soa mesmo, como uma sombra do feudalismo, da Idade Média, da era das trevas, na ocasião em que se podia lançar pessoas no calabouço ou na masmorra e praticar inúmeros tipos de tortura. Naquele tempo negro, a tortura era física  e psicológica. Hoje, a tortura física parece ter sido banida.
No meu sentir, as guerras foram a maior expressão do que a hierarquia aliada ao poder simbolizam em seu ápice. Multidões de pessoas foram mortas e trucidadas nos campos de concentração, e não podemos negar que ali se expressava a pouca sorte de quem não detém de nenhuma forma o poder. Ou seja, de quem estava no subsolo da hierarquia pelo uso força.
As mortes e os excessos contra a dignidade da pessoa humana demonstraram que as coisas precisavam mudar e por este motivo em 1948 proclamou-se a Declaração Universal de Direitos do Homem.
Acredito que o conceito de hierarquia, bem como a sua implementação empresarial, deva se adequar a este prisma. Não bastasse este forte fato histórico, recepcionado pelas Constituições de inúmeros países em quase todo mundo, devemos lembrar que hierarquia tem a ver com liderança. E liderar muito é melhor do que "chefiar", “mandar”, "ditar as regras". Dizem os chefes feudais: Quando um “burro fala, o outro baixa a orelha".
Há quem afirme que a hierarquia democrática ainda exista, mas nem todos aqueles que se denominam “chefes” estão prontos para liderar, este é um fato incontroverso!
Os maiores líderes da história da humanidade, compreendiam esta realidade, por isto, antes de mais nada, ensinavam que liderar é servir, é reconhecer primeiro sua condição de igualdade perante as outras pessoas, para por meio do respeito conquistado obter a reverência voluntária. Entre tais personagens heróicos e inspiradores podemos citar: Jesus Cristo, Mahatma Gandhi, Martin Luther King Júnior e tantos outros.
É claro que não precisamos de extremos representados por tais ícones, os quais deram as suas próprias vidas por seus ideais, mas talvez seja por força da compreensão que somos todos iguais perante a lei, pelo resgate da dignidade da pessoa humana que a designação de "chefe", esteja entrando em desuso ou colapso. Não vejo outra maneira de permiti-la coexistir, se não adequá-la ao efeito de uma sincera, honesta e leal liderança.
Os poucos "chefes" que adoraram as sombras da "hierarquia" de cor medieval, que se alimentam de "regrinhas" são os mesmos que não desejam incluir, ajudar e servir ao seu próximo, ao seu semelhante. Antes disso, tomam por força a imposição de uma reverência feudal, para de fato fazer estampar que são diferentes, que são melhores, ou mais dignos que os outros. Enfim, chefiam como se estivessem na Idade Média, mas não lideram no presente!
A evidência é que precisamos de líderes não de chefes. Os líderes inspiram, enquanto os "chefes" nos moldes feudais, constrangem pela força (i)moral, e, em assim fazendo, agregam subconscientemente uma torcida para que seu “reinado” de “mandos” e “decretos” termine logo, dividem a empresa em dois times, o que agride a produtividade e leva a perder o "jogo" no mercado.
Chefiar na verticalização é amealhar serviçais insatisfeitos, que na primeira oportunidade buscarão uma recolocação no mercado de trabalho. Liderar é inspirar confiança pelo tratamento horizontal, conquistando mais que liderados, amigos para toda vida.
Por tudo isto, feliz aquele que sendo chefe, prefere ser líder. Feliz aquele que sendo subordinado entende que nem todo chefe feudal é para sempre.


Fernando Loschiavo
Sou advogado há 15 anos militante na cidade de São Paulo, especialista em Direito Processual Civil, leciono para graduandos em Administração de Empresas, Ciências Contábeis e Direito. 

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